Projeto Fortaleza 300 Anos, da Academia Cearense de Letras, reúne memória, arte e olhares sobre a capital cearense

Iniciativa patrocinada pelo Banco do Nordeste promoveu palestras, exposição fotográfica e concurso de poesia; mostra terá circulação pela cidade e conteúdos reunidos em livro como legado

O projeto Fortaleza 300 Anos, promovido pela Academia Cearense de Letras (ACL) com patrocínio do Banco do Nordeste (BNB), reuniu um ciclo de palestras, uma exposição fotográfica e um concurso de poesia em uma programação gratuita no Palácio da Luz, entre agosto e outubro. O ciclo foi encerrado no dia 15 de outubro, com a palestra “Fortaleza: a cidade em cena”, de Ricardo Guilherme, e a entrega do Prêmio Artur Eduardo Benevides – Poesia de Fortaleza.

Os encontros do ciclo de palestras “Fortaleza em Perspectiva” começaram em agosto, com “Fortaleza Hilária”, de Juarez Leitão. Em setembro, Batista de Lima apresentou “A literatura cearense: mutirão e catarse”. No último evento, Ricardo Guilherme abordou as relações entre o teatro e a história da Capital, percorrendo autores, grupos e espetáculos que transformaram a cidade em matéria-prima para criação cênica.

Ricardo utilizou gestos, canto, expressões faciais e impostação de voz para narrar a história do teatro em Fortaleza, conferindo à palestra uma dimensão metalinguística. Ao revisitar “O Morro do Ouro”, de Eduardo Campos (1923-2007), interpretou trechos de canções de Belchior que não foram gravadas e são anteriores aos sucessos do compositor de Mucuripe, Hora do Almoço e Como Nossos Pais.

A dramaturgia teatral foi definida pelo ator e acadêmico como uma reportagem poética sobre a cidade, reveladora da desigualdade social, dos conflitos morais e dos laços de solidariedade. A peça, que estreou em 1963 com a Comédia Cearense, também integra a trajetória do ator, participante de diferentes montagens.

Para o presidente da ACL, Tales de Sá Cavalcante, a programação expressou o compromisso da instituição com a difusão cultural e a aproximação com a sociedade. “A academia não pode ficar entre seus muros. Ela tem que sair dos muros, ela tem que se projetar, elevar a cultura cearense e elevar a educação cearense”, afirmou. No encerramento, ele anunciou que a iniciativa será incorporada ao calendário da Academia, com realização anual.

Coordenado pelo acadêmico e empresário Pio Rodrigues, o projeto integrou as comemorações dos 132 anos da ACL, completados em agosto. Na avaliação do coordenador, a programação recuperou a história de Fortaleza, debateu sua cultura e promoveu a arte produzida sobre a cidade. Pio destacou a presença do público nos três encontros e a participação de autores de diferentes regiões do País no concurso de poesia.

“A Academia conseguiu montar um programa para celebrar dentro das comemorações dos 300 anos de Fortaleza que, no fundo, recuperando a sua história, debatendo a sua cultura, promovendo a sua arte, não deixa de ser um grande, generoso e fraterno abraço na nossa amada cidade”, afirmou o coordenador do projeto.

Segundo Pio Rodrigues, a exposição “Fortaleza Antiga” seguirá em itinerância após sua passagem pelo Palácio da Luz. A mostra será recebida pelo Banco do Nordeste, no bairro Passaré, em meados de novembro. Depois, em dezembro, seguirá para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), no Centro. E chegará ao Shopping Del Paseo, no bairro Aldeota, em janeiro de 2027.

O primeiro lugar do Prêmio Artur Eduardo Benevides – Poesia de Fortaleza ficou com Edivane Rodrigues, moradora de Linhares, no Espírito Santo. Ela foi contemplada com R$ 5 mil pela poesia “Fortaleza guarda silêncios que o mar ensina”. A vencedora foi representada na solenidade pelo acadêmico, poeta e ensaísta crítico Linhares Filho, que recebeu de forma simbólica o troféu de Tales de Sá Cavalcante. José Arthur Façanha Xenofonte Filho recebeu R$ 3 mil pela segunda colocação no concurso.

Arthur Xenofonte é o autor do poema “Fortaleza, a coluna, o eixo”. Já Camila Maria Ferreira dos Santos conquistou o terceiro lugar, com premiação de R$ 1 mil, com “Fortaleza, 300 anos entre o mar e Iracema”. Os três poemas integrarão a publicação comemorativa do projeto.

Para Arthur Xenofonte, o reconhecimento marcou sua primeira participação em um concurso literário dessa natureza. “Fico muito honrado com todos os acadêmicos que consideraram o meu texto valioso e digno desse prêmio. E agradeço a Fortaleza, que foi a minha grande inspiração”, declarou.

Professora da rede estadual e formada em Letras, Camila contou que encontrou o concurso enquanto pesquisava oportunidades voltadas à literatura infantil. Para escrever o poema, retomou registros de sua participação em um projeto da Universidade Federal do Ceará sobre Iracema, entre 2010 e 2011, e os articulou as referências da cidade. A personagem também inspirou sua representação da força da mulher cearense.

A memória visual da Capital esteve presente na exposição “Fortaleza Antiga”, com coordenação e curadoria de Fernanda Quinderé. A mostra reuniu 48 fotografias dos acervos de Nirez Azevedo, da família Boris e de outros colaboradores, apresentando transformações urbanas, sociais e culturais da cidade. Segundo o coordenador do projeto, Pio Rodrigues, a exposição terá continuidade, com circulação prevista por espaços do Banco do Nordeste, no bairro Passaré, e pelo Shopping Del Paseo, no bairro Aldeota.

O legado dos conteúdos e registros serão reunidos em um livro, sob coordenação e curadoria de José Augusto Bezerra. A obra terá 120 páginas e tiragem de mil exemplares. Incluirá textos das palestras, poemas vencedores, fotografias, registros das atividades e referências a 80 datas históricas de Fortaleza, com distribuição a bibliotecas, universidades, centros culturais e outras instituições.

O Projeto Fortaleza 300 Anos foi patrocinado pelo Banco do Nordeste. O evento adotou práticas antirracistas e reafirmou seu compromisso com o respeito, a diversidade e a valorização de todas as pessoas.